Home \ Notas Soltas \ O vinho está a ficar doce

João Afonso

Terça-Feira, 14 de Abril de 2009 às 13:08
Pessoalmente não entendo o casamento de vinhos doces ou licorosos com outra comida que não seja a do fim de refeição, ou seja, queijos ou sobremesa.

Qualquer vinho doce servido no início ou a meio de uma refeição causa-me um desarranjo no palato. O vinho ou prato seguinte sofrem. É uma espécie de “pára/arranca” a meio de uma qualquer viagem. Indispõe. Aborrece. Cansa. É necessário começar de novo.
Ora, acontece que ultimamente, ao testar à mesa alguns tintos e brancos que retiro de provas cegas diárias, tenho deparado com várias situações de “pára/arranca”. Se a solo e em prova cega os vinhos são agradáveis, bons ou muito bons, quando se metem com comida, muitos deles afrouxam o passo, embatem contra as papilas e é um problema para os fazer engolir. São pré doces ou doces. Pouco frescos, maçadores. E o copo de água acaba muitas vezes com a luta que se trava na boca. Sem serem licorosos – ou pelo açúcar residual, ou pelos “taninos muitos maduros” ou porque o álcool abunda – são vinhos de mesa que não servem para a mesa e também não servem para a sobremesa. E assim uma boa fatia da enologia portuguesa parece ter esquecido a tradição mediterrânica que dita que o vinho é feito para acompanhar comida e não para adoçar a boca.
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