Home \ Notas Soltas \ Uma bodega de tradução

Samuel Alemão

Terça-Feira, 14 de Abril de 2009 às 13:08
Muitas vezes, o pior serviço de promoção daquilo que nos está mais próximo é feito por quem, supostamente, melhor o deveria saber fazer.

Então, entre nós, que nos estamos sempre a queixar de que ninguém conhece o que de bom existe por cá e que são poucos os que apreciam o melhor da nossa terra, a coisa toma contornos frequentemente embaraçantes. Veja-se o caso de um canal de televisão nacional que, no noticiário do horário nobre, no início de Dezembro último, fazia uma reportagem sobre a grande quantidade de espanhóis em visita ao Porto, aproveitando os feriados. Ouvindo nas ruas da Invicta os cidadãos do país vizinho, perguntando-lhes o que mais apreciavam na cidade e arredores, estes diziam no seu natural castelhano que adoravam as "bodegas". Ou seja, as caves, ou adegas, de vinho do Porto, neste caso. Mas, para espanto, o que surgia na legenda em português eram "bares". Afinal, do que eles gostam é dos bares portuenses, deduzia-se da tradução. Não questionamos as virtudes da noite na maior cidade nortenha, mas sim as bodegas de traduções que ainda se fazem!
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