Home \ Notícias \ Vinho branco DOC Alentejo feito de uva tinta

António Falcão

Segunda-Feira, 8 de Fevereiro de 2010 às 16:03
Esta é, ao que sabemos, uma estreia em Portugal. Um vinho branco feito de uvas de uma casta tinta foi aprovado pela CVR do Alentejo como vinho com Denominação de Origem Controlada. Vai chamar-se Invisível 2009 e foi produzido pela Ervideira.

Usar uvas tintas para fazer vinhos brancos não é algo novo. Mas esta situação é diferente: trata-se de um vinho branco feito exclusivamente de uma casta tinta – o Aragonês - pela equipa da Ervideira, produtor do Alentejo com vinhas ao pé de Reguengos (Alto Alentejo, distrito de Évora) e de Alvito (Baixo Alentejo, distrito de Beja). Duarte Leal da Costa (na foto) é o director executivo desta exploração mas o vinho foi vinificado pelo enólogo Nelson Rolo. As uvas foram colhidas na vindima de 2009, logo no início de Agosto e durante a noite para, segundo Nelson Rolo, manter uma boa acidez e não deixar que o teor alcoólico subisse muito. Ainda assim, o vinho ficou com 13 graus. As uvas foram imediatamente desengaçadas e as películas removidas (para não dar cor ‘tinta’ ao vinho). O resultado foi logo para uma câmara de frio. O Aragonês foi a casta escolhida porque, segundo Nelson Rolo, “é uma casta que já conhecemos muito bem e porque tem uma componente aromática muito interessante”. O Invisível 2009 saiu assim com aromas de hortelã e salva, garante Nelson, nada a ver com os brancos actuais. A cor é um pouco mais carregada que num branco ‘puro’ e isso poderia ter constituído um problema grave na altura da certificação. No entanto, houve uma explicação prévia à Câmara de Provadores, o vinho foi aprovado e a certificação emitida. Vão existir cerca de 12.000 garrafas e o preço final ainda deverá rondar os 6 euros a garrafa.
Há já algum tempo que a equipa da Ervideira tem definido como estratégia fazer “coisas diferentes”, inovar e ser “aventureiro de forma saudável”. Esta ideia de fazer um branco de uvas tintas veio na sequência mas não é a única. Entre outras surpresas prepare-se, por exemplo, para ver no futuro próximo um varietal com a casta branca Perrum.
A inclusão de vinhos de castas tintas em vinhos brancos é um processo algo usual nos espumantes, por exemplo, em especial com o Pinot Noir. Acontece ainda com alguns raros vinhos de lote, em especial usando vinho de Viognier (branco) com um vinho da casta Syrah. José Bento dos Santos e Vale d’Algares são dois dos produtores que o fazem.